- Início da observação: 2012/02/19 3:00 (UTC -2)
- Término da observação: 2012/02/19 3:30 (UTC -2)
- Instrumento(s) utilizados: Binóculo Orion WorldView 10x50 WP
- Nuvens: cobriam 10-20% do céu, 0% nas regiões observadas
Como já estava tentando dormir a algum tempo, minha visão já estava adaptada ao escuro, embora deva dizer
que ao sair devo ter perdido parte da adaptação, graças a enorme quantidade de postes de iluminação aqui
perto. Pois bem, comecei dando uma olhada em Saturno e Spica, em Virgem. Saturno apresenta uma forma
ovalada devido aos seus anéis em 10x. Pouco depois, ainda vagando por Virgem tive a primeira surpresa da
noite: um meteoro cruzando o campo de visão do binóculo, estimo magnitude entorno de 1, deixando um belo
rastro branco azulado, que durou quase 2 segundos.
Em se tratando de observação contemplativa, não poderia deixar de fora as constelações mais austrais. No
Cruzeiro, Acrux e Gacrux eram facilmente separadas de suas companheiras. Perto da estrela Mimosa estava o estimado
aglomerado aberto NGC 4755, conhecido como "caixinha de joias" pelas variadas cores de suas estrelas,
embora seja difícil ver qualquer com neste aglomerado usando binóculo. Pela primeira vez, notei a famosa
nebulosa do saco-de-carvão (coalsack), uma nebulosa escura localizada entre Mimosa e Acrux, facilmente
percebida como uma região mais escura em relação à região que a cerca.
Em Centauro, entre Rigel Kentaurus e Agena, observei o aglomerado NGC 5617, bastante fraco (magnitude
6.30) e praticamente sem resolver estrelas individuais, mas era facilmente reconhecido como um aglomerado
aberto. Próximo a Agena também observei NGC 5316, também de fraca intensidade (magnitude 6.00), mas um
pouco maior e neste já era possível ver algumas estrelas. O famoso aglomerado fechado Ômega Centauro (NGC 5139)
era visível a olho nu, ao binóculo se mostrava como uma brilhante nuvem arredondada. Próximo a ele
pude pela primeira vez confirmar a observação da galáxia NGC 5128, apresentando-se como uma mancha de
pequena intensidade, a mancha central não era facilmente perceptível, com apenas uma indicação de sua
presença, mas não me arrisco a confirmar sua observação. Observei mais dois meteoros no campo de visão do
binóculo, um mais fraco, bastante rápido, tendo surgido e desaparecido dentro do campo (6°) e o outro, um
pouco mais brilhante, magnitude 2 ou 3, surgindo no campo de visão e terminando fora dele, sem rastro
visível.
Finalmente, vou para a constelação da Carina, uma das mais fantásticas de todo o céu. Primeiro uma
tranquila observação no meu aglomerado aberto favorito, NGC 3532, região rica em estrelas com magnitudes
semelhantes, bem agrupadas e facilmente resolvidas com o binóculo. Próximo dali outra joia, IC 2602
(Plêiades do Sul), possui varias estrelas brilhantes, também um excelente alvo para binóculo. E
finalizando, a grande nebulosa de Eta Carina! Ocupando grande parte do campo, é possível ver as partes
mais escuras, formando lóbulos na nebulosa. Mesmo sem perceber detalhes como a nebulosa da fechadura e o
homúnculo, é uma das mais belas visões que já tive, ficando fácil compreender a inveja dos observadores do
hemisfério norte por não poderem vê-la. E pra encerrar a contagem de meteoros, observei um quarto, sem
instrumentos, mais alto no céu, entre Centauro e Vela, de magnitude 1 ou 2, de brilho branco-amarelado,
percorrendo um pequeno trecho no céu (< 8°) e sem deixar rastro visível.
Sei que há inúmeros outros objetos interessantes nesta região e que a descrição poderia ser bem mais
detalhada, mas como se tratava apenas de uma observação sem maiores pretensões, que se deu no incrível
período de 30 minutos, entre 3h e 3h30, acredito que o resultado tenha sido muito bom. Só os quatro
meteoros já fizeram valer a saída no meio da noite para observar. Tudo isso mostra o quanto um binóculo
pode ser útil ao astrônomo amador, instrumento portátil, pronto para uso (aclimatação é para os fracos!) e
com um campo muito grande, permitindo até mesmo, com sorte, observar meteoros aparecendo e desaparecendo.
Espero que este seja só o primeiro de muitos relatos, nos próximos talvez de forma mais sistemática e
utilizando também o meu Maksutov de 3.5”.