Sky-Watcher Maksutov-Cassegrain 90mm EQ1
- Diâmetro da objetiva: 90mm
- Distância focal: 1250mm
- Relação focal: F/13.8
- Óptica: Catadióptrico (Maksutov-Cassegrain)
- Barril da ocular: 1.25”
- Buscadora: Red Dot
- Montagem: Equatorial germânica (EQ1)
- Aumento máximo teórico: 170x/212x
Meu primeiro instrumento astronômico foi um refrator de 50mm de péssima qualidade, oculares de plástico, cromático (objetiva não era um dubleto) e sem possibilidade de troca de oculares (aumento fixo de 40x). Usei em observações noturnas esporádicas e solares (por método de projeção). Depois de adquirir o Orion WorldView 10x50mm, acabei me interessando ainda mais pela astronomia e o binóculo já mostrava sua limitação, principalmente no que se refere à Lua e planetas, que exigem grande aumento para melhor apreciação.
Em novembro de 2011 adquiri este pequeno Sky-Watcher Maksutov-Cassegrain de 90mm no Armazém do Telescópio. Por que um Maksutov-Cassegrain? Bom, sou estudante de medicina e não tenho tanto tempo disponível para a astronomia, logo, precisava de algo portátil e que em questão de minutos estivesse pronto para observações, que exigisse o mínimo de manutenção e claro, observações planetárias e lunares satisfatórias. O pequeno Maksutov-Cassegrain de 90mm cumpria estes requisitos e estava com um preço bastante convidativo (R$ 650), então foi uma escolha óbvia.
Após receber o telescópio, em menos de 1h já estava tudo montado e funcionando, demorei tudo isso porque ainda não tinha tido contato com uma montagem equatorial, mas entendia o seu princípio, o que ajudou um pouco. A buscadora é do tipo red dot, como mostrada na foto desta página, depois de ajustada, mostra-se bastante eficiente, particularmente nos objetos mais brilhantes do céu. O telescópio veio com duas oculares Super MA, uma de 25mm e outra de 10mm, proporcionando aumentos de 50x e 125x, respectivamente. Falarei um pouco mais delas na página dedicada a oculares.
Bom, na primeira noite eu não tive dúvidas sobre o alvo: Júpiter! Comecei com a de 25mm para não estragar muito a surpresa, mas não deu certo, com 50x já era possível ver duas faixas equatoriais no planeta, além de 4 luas ao seu redor. Ver isso com seu próprio instrumento, ao vivo, é muito emocionante, por menor que seja, por menos detalhes que tenha, sempre gera uma reação diferente daquela que temos ao olhar um foto, mesmo que do Hubble. Em 125x era possível ver uma oval acastanhada e uma terceira faixa, bem tênue.
Com o passar dos dias, pude ver como ele se comporta com outros alvos. Na Lua é um espetáculo, é possível ver em detalhes as crateras, vales e cadeias de montanhas. Marte, ainda distante e famoso pela dificuldade de observação, mostrou-se como um pequeno disco avermelhado, permitindo-se ainda notar a calota polar e uma pequena mancha escura em sua superfície, muito além do que eu esperava. Saturno, o senhor dos anéis, só consegui observar por alguns minutos, mas que valeram a pena, os anéis perfeitamente visíveis (embora a divisão de Cassini não) e alguma alteração na atmosfera de Saturno eram notáveis.
Em deepsky o Mak pode ser decepcionante, tanto pela pequena abertura quanto pela alta relação focal, justamente por esta última que ele é mais indicado para planetas (exigem maior aumento). Até dá pra ver deepskies, o problema maior é encontrá-los com a red dot, levei uns 15 minutos até achar M31, e a visão não foi tão diferente da observada com o binóculo 10x50. Há, porém, uma exceção: M42, a grande nebulosa de Órion! Com a ocular de 25mm é possível notar sua nebulosidade sem dificuldades (sem uso de visão periférica) e também as quatro estrelas principais do famoso trapézio. M42 sempre foi meu objeto Messier favorito, e sua imagem no Mak90 só reforçaram esta preferência, sempre que Orion está no céu, dou uma olhada, mesmo que rápida para esta nebulosa.
Quanto a montagem equatorial, é incrivelmente prática, com um alinhamento aproximado já é possível acompanhar um astro movendo apenas 1 eixo, e os controles de movimento lento permitem acompanhar mesmo com grandes aumentos (usei até 208x). Para observação visual a montagem é estável o suficiente para o pequeno Mak, para fotografia eu já não recomendaria a EQ1.
Quanto a colimação, notei com o star test que ele está ligeiramente descolimado, algo que pretendo arrumar em breve. A colimação me pareceu bem simples, é feita através de 3 parafusos Allen na parte traseira do tudo. A vantagem do Maksutov-Cassegrain é que uma vez colimado, raramente irá descolimar, como acontece nos newtonianos.
Bom, isso foi apenas uma visão geral do instrumento, o que posso fazer com ele também é limitado pela minha pouca experiência, portanto, creio que a qualidade das observações venha a melhorar muito nos próximos meses e espero ir publicando cada sessão aqui no blog.
Para encerrar, uma imagem de Júpiter obtida com o Maksutov-Cassegrain 90mm com a ocular de 10mm em método afocal (usei uma câmera digital compacta). A imagem foi obtida em vídeo e posteriormente processada no Registax.